segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Sonhos de 22 de outubro de 2010

Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena acreditar no sonho que se tem

Uma bandeia azul com dizeres pintados de branco. Uma bandeira encontrada próximo a um gradeado verde, junto à UNICAP, na saída da manifestação dos estudantes que definiu apoio a Dilma Roussef no segundo turno. A bandeira era da UEP – Cândido Pinto. Nome injustamente desconhecido por boa parte dos pernambucanos, um nome anônimo.

A bandeira foi levada por uma das ruas do recife. Ruas que para um que não habita a grande cidade era igual a tantas outras. Mas sabe, aquela tinha um gostinho especial. Ele carregava a bandeira de seu orgulho de ser estudante nas mãos e tinha passos firmes e pesados, como um soldado forte que marchava junto a um trio com manifestações estudantis e de jovens diversos em favor a um projeto de Brasil mais justo e concreto.

Era um estudante bravo e anônimo! A sua luta era carregar uma bandeira que tinha a força de tiros e sangue de outros estudantes, e de exílios e mortes e tantas lágrimas de mães, esposas, filhos e da terra pátria, que chorava pelos filhos que morriam por liberdade, por vida. Era um soldado e seus tênis All Star substituíam os coturnos pesados militares; as flores o faziam às armas. Seus olhos brilhavam.

E choveu! O clima do Recife deu esse susto nos estudantes bravos de tantas entidades. E a marcha continuou mesmo em baixo de chuva, de terror dos céus. Sabia-se que a polícia não iria invadir e, como em Cândido Pinto, não iria atirar e deixar paraplégico. Aleijado, palavra forte mas fraca se comparada a perca da liberdade. O pior castigo não é ser aleijado fisicamente, mas no espírito, em alma.

Chegando à Conde da Boa Vista, via-se a magia no ar ao ficar em frente ao pelotão de ônibus com motores ligados. Rugiam motores, leões bravos mas que não podiam impedir de forma alguma que estudantes escolhessem seu país, como outrora militares armados de metralhadora também não conseguiram. E a arma do jovem era mais forte que qualquer motor ou metralhadora: ele tinha sua bandeira e ideais, e a bandeira era da UEP. Aquela bandeira era Cândido Pinto!

O pelotão não avançou. O jovem continuou balançando ininterruptamente a bandeira. Ele gritava dentro de si: “Não avancem! Não avancem porque ali atrás vêm estudantes! Ali vêm estudantes que acreditam em si mesmos e em seus ideais! Temos força, temos voz!” E assim vieram os outros. Invadiram a Conde da Boa Vista.

Jovens diversos, com bandeiras das gloriosas entidades, com as bandeiras da grande UJS, invadiram na frente, correndo e experimentando a liberdade e a dor de ser livre! E os olhos brilhavam e cativavam a todos e a tudo que os via! Gritavam palavras de ordem por crer em Dilma como presidente do Brasil. Eram jovens de olhos brilhantes que, se preciso fosse, enfrentariam a polícia. Eram jovens que sem dúvida nunca deixariam de ser jovens. Eram jovens que lutariam para sempre em seu direito de ser livres e felizes.

Eram jovens que, ainda que não tenham encontrado as bandeiras junto a gradeados verdes, acreditam em verde-esperança. Acreditavam na esperança que aviltava no país na forma de uma estrela vermelha, com o número 13, a brilhar na imensidão. Eram jovens loucos por serem jovens. Jovens livres que gritavam e, para sempre, eternamente em sua vida lembrariam daquele dia.

E na mente daquele jovem, com a vista da Conde totalmente repleta de gente, a imagem que se tinha era de papel picado caindo do céu. E seus olhos brilhavam e sua boca ria inebriada. E se sentia gente, se sentia feliz e cantava, sem parar: “É Dilma, é Dilma, é Dilma pro Brasil seguir mudando! É Dilma, nossa presidente!” E ria, feliz.

Emmanuel Rodrigues 
23/10/10

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